O que internet tem a ver com inflação?

23.06.2016

Numa viagem recente aos Estados Unidos, passei por uma situação inusitada. Procurei por uma bateria para meu notebook, já que a original havia estragado. Tentei 3 lojas especializadas em eletrônicos diferentes até que o vendedor sinceramente me disse:

 

“Por que tu não compra na Amazon ou no Ebay? Vai ser muito mais fácil tu comprar lá.”.

 

 

Foi o que eu fiz, encomendei o produto pela Amazon e no dia seguinte a bateria estava nas minhas mãos, certamente por um preço inferior ao das lojas (se é que eu encontraria nas lojas). Também nos Estados Unidos, uma notícia de negócios chamou minha atenção. A rede gigante de lojas de esportes “Sports Authority” está prestes a fechar suas 463 lojas, apesar do consumo de produtos esportivos estar crescendo. O que poderia ter dado errado para uma empresa desse porte e com 30 anos de atuação?

 

A própria empresa sugere que o aumento da concorrência online é um dos principais responsáveis por essa queda.

 

Olhando pelas lentes do consumidor, o comércio online possibilita mais opções de fornecedores para comprar o produto desejado, ou seja, maior concorrência entre as empresas e também faz com que as pessoas estejam mais bem informadas sobre os preços e os produtos. Certamente, esses fatores pressionam o varejo tradicional, pois se não mantiverem um preço competitivo, as vendas cairão. Além disso, como não há a necessidade de espaço físico para o comércio eletrônico os custos de operação são bem menores se comparados com as lojas físicas.

 

Quando levamos esse raciocínio para um sistema econômico de um país, especialmente para um país tecnológico e com muitos “digital early adopters” como a Suécia, onde mais de 90% da população são usuários ativos da internet, cria-se uma pressão muito forte para não aumentar os preços. A Suécia acumulou 43 meses seguidos de deflação (até janeiro de 2016) enquanto a meta do Banco Central Sueco é manter a inflação em 2%.

 

A pergunta não é se, mas sim, quando outros países sentirão esses mesmos efeitos da internet na inflação? Para as empresas, fica a lição do Sports Authority que, sem dúvida, não é a única empresa a sentir na pele o aumento da concorrência.

 

É preciso estar atento às mudanças de comportamento das pessoas, antes que seja tarde demais.

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