Mais que 10 segundos

04.07.2016

Quando entro num restaurante, não demora muito para a mesma cena se repetir: os celulares saem dos bolsos e atraem os olhares dos respectivos proprietários. Quem dera isso fosse exclusividade dos restaurantes! O mesmo fenômeno pode ser observado em festas, shows, até mesmo nos discursos do Papa.

Parece que estamos mais preocupados em registrar os momentos do que os sentir. A impressão que tenho é que as pessoas se encontram, mas não se relacionam. Ouvem, mas não escutam. Pensam, mas não refletem sobre sua própria vida.

Quem assistiu o filme “A Vida Secreta de Walter Mitty” vai lembrar da cena em que o fotógrafo Sean O’Connell ao invés de tirar a foto que buscou por anos, prefere simplesmente admirar a beleza do que está presenciando. Que bom seria que houvesse tantos momentos significativos nas nossas vidas que nos fizessem esquecer de tirar aquela foto que vai para o Facebook.

 

 

A tecnologia não é a culpada. Nós somos. Afinal temos o controle das nossas ações, correto? Chegamos ao ponto em que é preciso que um pai mude a senha do Wi-Fi todos os dias para que a filha termine o tema de casa e como recompensa tenha o acesso à internet. Essa conectividade rompeu tantas barreiras e nos deu tantas opções que ficamos perdidos sobre o que aproveitar agora. Aquele momento que era exclusivo da família ou dos amigos ganhou a concorrência do Whatsapp, do Instagram, do Snapchat. Buscamos essas ferramentas para pertencer a grupos e muitas vezes nem cumprimentamos o vizinho que mora ao lado. A pergunta que cabe nessa reflexão é:

 

até que ponto essa conectividade realmente nos conecta?


Caso um alienígena estudasse o ser humano através das redes sociais concluiria que somos muito felizes, ativos,  sociáveis, amáveis, engajados politicamente e bem humorados. Porém, diferentemente do que vemos no Facebook, a vida é feita de pequenos momentos nem sempre tão prazerosos. Muitas vezes é na dor e na incerteza que aprendemos a dar valor para o canto dos pássaros, uma gentileza no trânsito ou àquele prato muito bem preparado. A decisão de estar acordado para perceber essas sutilezas está nas suas mãos.

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