Como aumentar o sucesso de novos produtos?

24.08.2016

Lançar novos produtos é fundamental para qualquer empresa que deseja se manter competitiva. O desafio é enorme e pode ser comparado com uma maratona: cada quilômetro traz uma dificuldade que deve ser superada, visando a linha de chegada: o sucesso das vendas. Desde a concepção de um novo produto até a sua comercialização há muita energia, suor, dinheiro e profissionais envolvidos. Por essa razão é tão importante garantir que esses esforços serão bem utilizados, mas infelizmente essa não é a realidade. Na indústria de bens de consumo o fracasso de novos produtos é de 45% (quase a metade!). Como estamos tratando de um tema complexo, abrangente e pertinente a diferentes contextos vamos explorar os problemas que observamos no mercado.

 

 

 

Problema 1: O novo produto não traz uma "solução" melhor do que outros que já existem.
 

Muitas vezes a iniciativa para fazer um novo produto vem da área industrial que descobre uma nova tecnologia ou máquina que possibilita uma forma de produção diferente da vigente. É fundamental que as empresas busquem novas formas de produção, pois isso garante vantagem competitiva em relação aos concorrentes. O problema ocorre quando essa análise do que é tecnicamente viável de produzir não é acompanhada da análise do que é desejado pelos consumidores. Frequentemente a mudança possibilitada pela nova tecnologia não é percebida como algo que contribua para solucionar um problema real das pessoas.

 

Solução: maior entendimento das pessoas e seus comportamentos, não somente o que dizem, mas também o que sentem e o que fazem. Algumas empresas adotaram o hábito de deixar uma cadeira vazia nas reuniões importantes para simbolizar e lembrar que uma parte importante não está presente: o consumidor(a). Aproxime-se da vida real e da rotina do seu consumidor(a), dedique um tempo da sua agenda para isso. É surpreendente a quantidade de insights que pode surgir, simplesmente da observação próxima da vida real.  Entenda o uso do seu produto e dos concorrentes. Diminua a distância que existe entre a fábrica e o mercado.

 

Problema 2: O novo produto não é comunicado e quem poderia se interessar nem fica sabendo.
 

A grande maioria das empresas organiza-se por áreas para orientar as tarefas e também os orçamentos. O projeto de desenvolvimento de um novo produto muitas vezes é bancado pelo orçamento das áreas de Design ou Desenvolvimento Industrial. Para crescer e se desenvolver um novo produto também precisa de estratégia e investimento em marketing e comunicação. No entanto, dificilmente um novo produto consegue espaço num orçamento que já foi planejado para uma estrutura que não contemplava o mesmo. O resultado é que o novo produto “dá um jeitinho” de se encaixar na verba disponível e no formato tradicional de comunicação dos outros produtos que não necessariamente é o mais adequado.

 

Solução: encare um novo produto como um novo negócio. Um bom produto é apenas uma parte do que um negócio precisa para prosperar. Forme uma equipe de trabalho com diferentes áreas que tenha responsabilidade compartilhada pelo projeto. Quando mais pessoas entendem a importância e os recursos necessários para algo dar certo, fica mais fácil envolvê-las em busca desse objetivo comum.

 

Problema 3: O mercado ainda não está pronto para o produto.
 

A Apple lançou seu primeiro tablet em 1979 com o Apple Graphics Tablet, um acessório que permitia apenas criar imagens digitais para o computador. Em 1979 não havia uma App Store para baixar aplicativos e mesmo que houvesse não teriam aplicativos disponíveis para baixar. O Graphics Tablet não pode sequer ser desconectado do computador, pois não tinha bateria própria. Durante as três décadas entre o lançamento do Graphics Tablet e o IPAD em 2010, a Apple desenvolveu o Ipod, o Itunes, o Iphone, o iOS, o kit de ferramentas para desenvolvedores, a AppStore. Essas tecnologias permitiram que o IPAD ganhasse multifuncionalidade e benefícios. Sempre que um produto é lançado, ele é inserido numa determinada cultura com características específicas. Cultura pode ser entendida como o conjunto de conhecimento, leis,  crenças, costumes, hábitos, etc de uma sociedade. Por essa razão, muitas vezes não se tem sucesso ao importar um produto concebido para um público (ou uma sociedade) e transportar para outro.

 

Solução: ao planejar um novo produto questione e aproxime-se do contexto no qual ele está sendo inserido e quais os comportamentos associados a esse objeto. Como vivemos num país diversificado e multicultural podemos aprender muito com pessoas diferentes do nosso círculo de convivência. Ao nos depararmos com novos pontos de vista, não ficamos mais reféns apenas do nosso gosto pessoal que pode ser a maior armadilha para um projeto de um novo produto.

 

Problema 4: Os profissionais se apaixonam pelo produto... mas o mercado nem tanto.
 

Muitos produtos são pensados, produzidos e tratados com muito carinho dentro das empresas. São muitas horas de desenvolvimento interno, dedicação e expectativas. Entretanto, algumas vezes um aspecto fundamental é negligenciado: quem irá comprar e consumir esse produto? Como essas pessoas se comportam e o que pensam? A distância que há entre as paredes de uma grande empresa e a rotina básica do consumidor dificulta o processo de empatia, de entender o outro.

 

Solução: compartilhe seu projeto, mesmo que ainda esteja em fase inicial, para outras pessoas, sejam elas dentro ou fora da empresa. Os questionamentos que surgem podem representar as percepções de outros tantos consumidores.  Ouça diferentes opiniões, reflita e incorpore ao projeto o que faz sentido. Muitas empresas adotam como prática que seus gestores acompanhem a utilização dos produtos no dia a dia dos consumidores. Essa observação da realidade auxilia na identificação dos problemas reais das pessoas. O que causa "dor" para elas? Dessa forma, o processo de criar valor e o que realmente importa fica mais fácil.

 

Problema 5: equipes não têm tempo para criar e inovar.

 

O ritmo da vida está muito acelerado e dentro das empresas não é diferente. Porém, toda essa aceleração traz uma consequência importante, a falta de tempo para a criatividade emergir. Os profissionais estão muito ocupados com intermináveis reuniões, executam muitas atividades e não têm tempo para pensar sobre novos produtos, projetos ou formas diferentes e melhores de executar um processo.  Os ambientes que principalmente o Google e o Facebook criaram para os seus colaboradores não são meramente “legalzisses”. Eles são espaços para que a mente descanse um pouco e fique livre para criar. Tanto é que os funcionários do Google têm 20% do seu tempo para se dedicar em projetos pessoais, não necessariamente ligados aos objetivos da empresa.

 

Solução: incentive e valorize a iniciativa de cada colaborador contribuir com suas ideias. Construa um espaço para a participação e a colaboração de diferentes áreas em torno de problemas específicos. Muitas vezes é da troca de diferentes conhecimentos que surgem insights. Mantenha um equilíbrio na sua agenda e crie espaços de tempo em que seus pensamentos não serão atrapalhados por outros compromissos e pessoas.

Please reload

Posts em Destaque

Não adianta parecer, é preciso SER.

April 17, 2017

1/10
Please reload

Posts Recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags
Please reload

    51 98108.2187
    51 99243.3331

    • Branca Ícone Instagram
    • White Facebook Icon
    • White LinkedIn Icon